domingo, 27 de dezembro de 2009

Apareçam, apareçam de onde quer que estejam...

Fazem 25 anos que Lestat de Lincourt os chamou e desde então eles não param de se levantar de seus lúgubres caixões e a povoar tanto a literatura quanto as telas do cinema e da tv. Se antes os vampiros ocupavam um lugar na rabeira do folclore popular estereotipados na pele de Bella Logosi, agora eles estão sendo vendidos para todos os públicos possíveis e imagináveis.


E tudo isso começou na Romênia, ou teria sido na Irlanda em 1897, com Bram Stoker retratando o mitológico e tirano empalador Romeno. Excomungado pela igreja que defendeu a Valáquia contra a expansão Otomana.


O príncipe Vlad Tepes não tinha a rebeldia nem a juventude necessárias a imortalidade e ainda que tivesse sua tragédia é linear demais as voltas com o amor impossível por Mina Harker para propiciar o surgimento do fenômeno que vemos hoje. Ainda sim o terror Romeno serviu de pedra fundamental para a cultura vampiresca.


Foi só com o surgimento de Lestat e Luis em entrevista com o vampiro de Anne Rice, publicado em 1976 que o vampiro moderno sem compromisso com a malignidade ou satanismo surgiu.

E quando Tom cruise e Brad Pitt encenaram Interview with the vampire em 1994 deixando o mundo inteiro sedento de sangue. Formaram-se os alicerces para o surgimento da vampiromania.


E agora no meio da maior febre que se tem noticia, quando a figura do vampiro está se tornando totalmente banalizada, o cheiro do sangue me causa enjoo. Tentando pesquisar quantas séries e livros de vampiro existem por ai... Percebi que a busca era totalmente inútil! Porque ao que parece o mercado capitalista elegeu os vampiros como a bola da vez e vai sugar tudo o que eles tiverem até não sobrar mais nada...


O ícone vampiresco já agoniza e a fábula do vampiro adaptada a todos os formatos possíveis e imagináveis não tem o mesmo glamour. De seu precioso sangue rubro resta apenas o insosso plasma. De tanto se reproduzirem os vampiros do século XXI diluíram suas maldições ao ponto de serem tão triviais como qualquer outro canastrão pode ser.

Pra mim que estou a muito tempo familiarizado com a temática graças ao RPG VAMPIRO A MASCARA que jogo a 10 e narro a 5 anos. Fica fácil observar que apesar de bem abrangente a temática tem seus limites. E um desse limites é que não funciona uma roupagem adolescente puritana estilo malhação. È o que observamos na saga crepúsculo em Vampire Diaries. Mas uma vez o mercado pasteurizante e o puritanismo broxante estenderam seus tentáculos dilacerando a essência da mitologia.

Afinal uma das muitas questões que envolvem os vampiros é a temporalidade da vida humana e mal que aflige a todos nós mortais, que é a certeza da morte. Um vampiro enquanto ser imortal não se preocupa com esse tipo de questão e por outro lado perde a noção de respeito pela vida já que de um jeito ou de outro aquela pessoa morreria de forma natural. È como tentar preservar as frutas de uma árvore, que apesar de belas se não colhidas acabam murchando e apodrecendo. Por isso o vampiro se distancia do mundo mortal e acaba matando como quem colhe pêssegos em um pomar.

Nada disso é abordado nessas adaptações, que mais parecem uma mescla de confissões de adolescentes com temática gótica. A única que se salva é a produção da HBO True Blood, que inova muito ao criar um cenário onde os vampiros que saíram de seus caixões revelando sua existência aos olhos do mundo. E com isso suscitando uma série de questões de fundo moral e ético a cerca de direitos humanos para vampiros e etc...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Encontro de casais com o neo-puritanismo.

TRAILER

http://www.youtube.com/watch?v=vbfhb-43UNQ

É essa é uma daquelas oportunidades em que eu pego algum fato a vida e ponho à prova uma das minhas teorias malucas. Eu já li ou ouvi dizer que existem ciclos entre gerações, que um pai careta da origem a um filho progressista (hippie, punk, comunista e etc.) e vice-versa.

Pois bem talvez essas tendências na sociedade de forma geral também se alternem, fazendo um movimento de pêndulo entre a libertinagem e o conservadorismo. Guardadas as devidas proporções e relativizadas as matizes culturais acho que o nosso pêndulo esta louco. Fazendo uma rápida rotação entre um canto e outro.

O pendulo está louco porque atualmente somos conservadores e promíscuos ao mesmo tempo! Isso se observarmos as grandes tendências de comportamento. Se por um lado a banalização do sexo é cada vez maior, por outro é possível (um pouco mais difícil porem possível) observar uma Puritanização da cultura de massas.

E talvez essa seja a marca dessa geração que ao mesmo tempo convive com High School Musical e 50 cent, com Malhação e Tati quebra barraco. O raciocínio rápido e simplista de que esses públicos são diferentes é totalmente falho quando se vê uma menina de família saindo de casa pra ir a uma boite... No fim cada um vai achar o que quer baseado no que vê e no que convive. Eu só queria ilustrar esse pensamento, de que existem duas tendências muito fortes em crescimento duas galeras que vão fundo em um pólo e outro. Independente da origem social. E se as coisas continuarem desse jeito com gente ficando fanático com religião de um lado e gente perdendo totalmente o senso de outro. O que vai ser das pessoas comuns, aquelas equilibradas que gostam de sexo, que acham normal transar fora e antes do casamento mas que não são necessariamente pervertidos.

Agora falando do filme. Encontro de Casais conta a estória e um grupo de amigos adultos e casados que convivem com as desventuras da vida de casado até que um dos amigos resolve que a única maneira e salvar seu casamento em crise é ir a um Spa/resort para casais. E tenta convencer seu grupo de amigos que aparentemente não tem problemas conjugais a os acompanhar nessa viajem. É uma comédia muito interessante, inteligente e madura. Com um elenco ótimo de caras engraçados e atrizes balzaquianas porem gostosas.

Agora o que tem isso a ver com o Puritanismo? Tudo, num filme com o nome de Encontro de Casais / Couples retreat não haver nenhuma cena de sexo, digo uma cena que mostrasse as atrizes... E não a mera insinuação de sexo. Veja bem ninguém esta falando aqui que queria que o filme fosse um pornô erótico. Mas francamente! Os personagens estão em um resort e a câmera nem sequer encara elas de biquini ! Há uma cena especialmente frustrante em que o dono do hotel obriga eles todos a tirarem a roupa... e é tão timidamente que se mostra as atrizes em roupa de banho, que me faz lembrar a minha infância impúbere quando se tem vergonha de observar de frente as mulheres e olha-se de lado ou só um pouquinho pra não chamar a atenção.

Enfim, Encontro de Casais / Couples retreat é um filme ótimo com muitas cenas engraçadas, que vale a pena ir assistir, mas que poderia ser muito mais interessante... Se não fosse a merda do neo-puritanismo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Novo cinema da Ilha pegando no tranco...

E então depois anos de boataria, finalmente o novo cinema do Ilha Plaza abriu as portas. Desta vez no topo do prédio ao invés de no sub-solo garantindo uma maior amplitude as instalações, além de tornar o cinema relativamente independente do resto do shopping, principalmente para quem vai de carro.

Poder frequentar novamente uma sala de cinema no bairro onde moro trouxe de volta o respeito pelo bairro, eu que me sentia como um retirante indo todo o fim de semana aos cinemas de Del castilho ou de Botafogo.

As instalações do novo cinema pertencentes Cinesystem (que por algum motivo me faz pensar que meu carro está mais seguro... ahha) são bem aconchegantes as salas em formato stadium são bem mais modernas que as do antigo cinema do grupo Severiano Ribeiro (com o diferencial de ainda não contar com a presença de baratas...)

As cadeiras são confortáveis e tudo cheira a novo... É tudo novo mesmo ! Até mesmo os empregados são zero Km. Tão saídos de fabrica que não tem a menor noção de como funciona um cinema. Tão crus em lidar com o publico que da vontade de ajudar...

E foi com encontro de casais fazendo a sua pré estreia que eu inaugurei o Cinesystem Ilha Plaza. o filme começaria as 21 e 40 eu comprei o ingresso as 21 e 20. E enquanto isso amontoavam se em uma fila digna de um mega evento centenas de adolescentes indóceis esperando pela próxima sessão de AVATAR. Enquanto isso um corre e corre entre os atendentes mostrava a fragilidade da gerência do novo cinema. Recebemos a informação que a fila para o nosso filme seria paralela a aquela formada pela turba adolescente, isso as 21 e 40. O troca troca de atendentes estava tão rápido que eles acabaram criando uma fila fantasma que saia de dentro da fila para assistir AVATAR. A conclusão é que só quando as pessoas na fila começaram a gerênciar o cinema é que conseguimos entrar e assistir o filme. Que inclusive já havia começado enquanto as pessoas ainda estavam entrando na sala. E pra facilitar (!) a organização o pessoal do Cinesystem ainda conseguiu trocar as salas de cinema. AVATAR que deveria ser exibido na sala 3 foi exibido na 2 e encontro de casais na sala 3.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Então finalmente criei um blog...

Já tinha tempo que a galera me cobrava isso, e eu na neoróse do preciosismo querendo melhorar a forma e o conteúdo do que eu escrevo, acabava bloqueado e nada saia. Não sei se isso é comum pra vocês mas eu as vezes empaco no preciosismo.

Depois de tomada a decisão, esbarrei num grande obstáculo... O nome do blog... Depois de muito pensar e de passar por um grande deserto criativo, tendo como ultima barreira os portões do google me afastando da originalidade. Me lembrei do meu velho amigo Kissirfoda...

Durante a minha adolescência eu tive o privilégio de estuda no ISERJ um colégio estadual bastante tradicional no Rio de Janeiro, e lá fiz grandes amigos. Numa dessas manhãs de loucura quando voltávamos pro ISERJ depois de uma farra no meio da semana eu tive uma de minhas muitas "epifanias". Quando um dos meus amigos, o mais certinho, disse galera assim não da... a gente vai acabar reprovando e etc.

A minha resposta foi rápida e imediata: Que se foda ! Que naquela situação significaria o mesmo que Carpe diem. Acho que de certa forma o filme A sociedade dos poetas mortos acabou influenciando toda a minha geração. Mas foi "Risky Business / Negocio arriscado" de 1983 que colocou as palavras na minha boca...

Outra coisa legal que aprendi no ISERJ foi a jogar RPG, e todo RPGista que se preze sabe que a cultura inútil abundante é indispensável. Foi num desse livro de RPG que lemos uma vez que era possível criar Deuses... Já que eles eram abastecidos pela crença das pessoas e que mesmo uma pessoa sozinha poderia criar seu Deus pessoal. Coisa boba de moleques adolescentes pena que no fundo no fundo é verdade.

Então naquele ônibus sob efeito do que nós apelidamos de barato da noite virada, criamos a nossa própria divindade Kissirfoda. O deus do que se foda, que passaria a nos guiar pelos tortuosos caminhos da adolescência e todo um mundo de descobertas e blá blá blá piegas.

O resultado, acho que o único que pode dizer que aprendeu matemática no ISERJ foi aquele meu amigo careta, fora isso nós todos temos muitas estórias pra contar. E é em homenagem a essa deidade adolescente, que foi pretexto pra tomar coragem, que eu batizei esse blog.