HIEROFANTE MAHAGATHA
Freqüentemente somos questionados a respeito de um projeto de poder hegemônico no Brasil, está é uma questão suscitada desde os idos da independência. Quando D.Pedro conspirava com a maçonaria paulista meios de libertar o Brasil das cortes portuguesas que naquela época haviam tomado o poder de D João na revolução do porto.
A questão é, que sempre há o burburinho de algum setor da sociedade brasileira, sobre um golpe de Estado ou uma revolução. Ao contrário do que pode parecer a um olhar estrangeiro, o Brasileiro é um povo extremamente arrivista e disposto a usurpar o estado em favor de sua pequena ideologia ou interesses pessoais. Pode-se observar isso freqüentemente na maneira como o cidadão médio não tem o menor respeito pelo bem público. Ou pelo erário público, o que é de impostos é perdido... assim como eram os impostos pagos a metrópole portuguesa, o povo Brasileiro apenas trocou de dono mas continua escravo. Continua vil e indolente.
Ao contrário do que possa parecer não há e nem nunca houve um profundo sentimento de identidade nacional no Brasileiro e os brasileiros não são um povo pacifico, já é muito otimismo chamar os brasileiros de povo. Ocorre que nossas guerras são internas, sejam as políticas ou as armadas e elas vem sendo travadas aqui dentro do território nacional sem que os civis que no brasil habitam sejam levados a entender, os civis em uma guerra raramente entendem o que as motiva. E os civis que vivem constantemente uma guerra acabam se habituando tanto a matança que nem percebem estar vivendo uma guerra.
Para citar exemplos cotidianos e da falta de entendimento civil/popular a respeito dos fatos, poderia sem querer pensar muito indicar o recente recordista de bilheteria de todos os tempos no cinema nacional “Tropa de Elite 2” .
O filme retrata quase em tom de sátira o que acontece nos bastidores da polícia e da política de segurança pública, que nada mais é do que a política mais suja que existe no brasil. Um câncer que existe na sociedade, ocasionado pela instabilidade e desequilíbrio entre os poderes no brasil. Um modelo constitucional que originalmente deveria ser moderado por um quarto poder. Na constituição de 1825 havia a figura do imperador, vejam que o poder constituinte que motivou a carta promulgada, a constituição que por mais tempo e com maior eficácia governou o brasil, não pretendia em absoluto tornar o poder moderador um poder supremo ou hegemônico.
A lógica impediria um Imperador absolutista de separar seu poder absoluto apartando-o de si mesmo, não havia absolutismo político programado pelo constituinte original brasileiro, mas um modelo onde as cortes brasileiras pudessem se organizar discutir e negociar política.
O congresso brasileiro sempre representou uma luta de províncias para dominar a política imperial. Muitas vezes as próprias províncias se uniam a favor de outras províncias unidas. A política brasileira ainda é aquela familiar onde uns poucos governam um império muitas vezes a revelia do povo ou das outras forçar políticas/outros nobres.
No brasil há apenas um revezamento belicoso entre essas castas. Transições ordeiras e pacificas de poder são uma invenção da tradição constitucionalista de 88. Apesar disso já se formam as guildas partidárias tentando esbulhar o estado.
Quando o poder mudar de mãos novamente, o governante que for obrigado a ceder o poder terá muito menos afeto por seu sucessor que aquele que fez a ultima transição de poder.
Enquanto isso os civis permanecem alheios em meio a guerra embrutecidos contra a carnificina e as desumanidades que cercam o seu dia a dia. Tal qual o homem medieval o homem contemporâneo se deslumbra muito pouco com a morte explícita, dá-se pouquíssimo ou nenhum valor à vida do próximo.
As falhas na estrutura de poder que foi projetada para ser equilibrada por um quarto começaram a mostrar sua falha estrutural quando o quarto poder deixou de existir como contra peso e força harmonizadora. Neste momento os poderes então a cada ciclo, aproximando-se ao ponto de o nosso atual executivo necessitar de maioria no congresso para governar e usar o próprio poder executivo para barganhar apoio político.
Este processo de aglutinação entre os poderes executivo e legislativo provoca uma aceleração no desequilíbrio. Desmontando completamente qualquer freio ou contra peso que pudesse ainda permanecer. Se o legislativo e o executivo se comunicam tão visceralmente como poderiam policiar a si mesmos. Formam uma amalgama de poder, deixando de fora da fórmula o poder de polícia.
O poder de polícia nunca deveria estar sujeito ao poder político, polícia e política deveriam ser palavras totalmente avessas. Nem as mesmas frases deveriam ocupar, por que poder de polícia é um poder que pertence ao povo em qualquer democracia. Nos EUA em muitos estados a polícia é independente, estando muito mais sujeita ao judiciário que ao executivo.
Como poderia haver qualquer isenção se a pessoa que ocupa uma posição hierárquica superior é uma agente político transitório e totalmente interessado em investigar tendenciosamente perseguindo aquele que contrariam seus interesses. Uma polícia subordinada à interesses abusivos teve origem histórica no Brasil bem antes do Brasil tornar-se reino unido a Portugal e Algarves em 1808, trezentos anos de dominação...
Dar independência administrativa a polícia judicial é um imperativo da Democracia no Brasil. Só assim se poderá balancear o estado para abrir caminho à reforma política e cultural que eliminem o ranso colonial. Nem tudo na história da política brasileira é o que parece ser. Chato é quando as pessoas vêem na tela do cinema a história da sua sociedade retratada em uma estória cinematográfica e ainda assim acham que aquilo é uma mera ficção, pior apenas são aqueles que entendem o que aconteceu, são capazes até de sentir cheiro do sangue e dos cadáveres e mesmo assim permanecem apáticos...
até quando filhos... até quando os meus filhos acordarem...
Vc é um homem de bom senso, meu amigo.
ResponderExcluirPiu