[AVISO AOS LEITORES ESSE TEXTO É INFINITO ! AHAHAH]
Chove torrencialmente no Rio de Janeiro, eu acordo sem saber se é dia ou noite, meu pai sentado na cadeira observa pela janela a cortina de água que impede a visão da rua. Ele se vira para mim e afirma com ar de espanto:
- Essa chuva não é normal, não chovia assim antigamente...
Mais tarde passo na casa de minha avó e ela me diz:
- Aquecimento global uma pinóia, eu to é morrendo de frio...
E nesse momento eu me lembro de minha tia no almoço de páscoa em sua casa, a família toda reunida. Ela dando um ataque porque eu não fechei a torneira enquanto lavava uma faca, dizendo que a agua do planeta ia acabar... Eu tento argumentar mas não tenho nenhuma chance... Dificilmente a agua sobe o morro o mesmo pode se dizer sobre as pessoas que te viram crescer darem o braço a torncer numa argumentação. Por mais fortes que sejam os seus argumentos...
Desde que me recordo tenho sido uma pessoa bastante crítica, talvez em algum momento durante minha infância alguém tenha incentivado esse meu lado e desde então tornei-me crítico em tudo. Aliado a esse senso critico estão minha curiosidade e um processo mnemônico peculiar, que permite que eu me lembre de eventos distantes e as vezes sem importância nos mínimos detalhes, ao passo que sou quase incapaz de recitar diálogos na forma que eles aconteceram.
Sempre que conto um estória de alguma forma acaba sendo resumida e sempre que por algum motivo sou obrigado a repeti-la sou mais lacônico. No fim acabo perdendo grandes fabulas em minha própria mente que passam a ter apenas um sentido abstrato em minha memória. Mas se consigo entender alguma coisa, dificilmente esqueço e se alguém me ensina alguma coisa que desperta minha curiosidade via de regra sou capaz de reproduzir o conhecimento como se ele fosse meu.
Ser assim as vezes faz com que me sinta alienígena em certas situações onde sou incapaz de abandonar o racional entrando naquele transe típico da balada. Enquanto os amigos perdem a noção entregando-se ao êxtase quase bacante eu permaneço no meio deles analisando os comportamentos. Ao longo dos anos aprendi a disfarçar esse deslocamento e em alguns momentos até consigo me soltar, mas são raros esses momentos. Mais comum é que eu mimetize o comportamento quase como Big Dave ou mesmo My Stepmother Is an Alien, EUA, 1988.
Por ser assim, e ter muita informação encripitada nesse dispositivo neurológico que vocês humanos chamam de cérebro quando alguma nova informação é adicionada ela é de alguma forma associada ao banco de dados pré-existente. Nesse processo minha linha de raciocínio passa por algumas premissas básicas procurando propiciando a interpretação de qualquer fenômeno.
Toda essa digressão serve de alicerce ao assunto que eu realmente quero atacar, que é o aquecimento global, mas eu não vou reforçar em absoluto nenhuma das tendências cientificas que disputam a supremacia do mundo acadêmico. Meu enfoque é o fenômeno midiatico batizado de aquecimento global, mas que de certa forma em diferentes locais no mundo apresenta sintomas diversos do mero aquecimento.
Em um primeiro momento deveríamos dizer que o aquecimento é principalmente das calotas polares, o que se verifica dado o degelo do oceano glacial ártico, processo que aumenta a significativamente a quantidade de água doce nos mares do norte e por conseqüência influi nas correntes marinhas. Em suma acaba mudando todo o ciclo de vida de animais e vegetais marinhos responsáveis em ultima instancia pela produção de oxigênio. Já que não é das florestas verdes como a Amazônia que provém o ar que respiramos, como ficou provado nem tão recentemente. E apesar disso as florestas ainda cumprem um papel tão importante quanto poderia se imaginar, o de controlar a temperatura da atmosfera.
Desde que a mídia americana percebeu este grande filão, e o presidente por direito dos EUA Al Gore abraçou está bandeira, a tsunami ambientalista vem percorrendo o globo, com um método bastante similar ao usado para motivar o absurdamente consumista povo americano a fazer qualquer coisa.
Isso em termo de argumentação construtiva é absurdo ainda mais quando se busca atingir o cenário mundial. O fenômeno deveria ser chamado de desgelo das calotas polares e não de aquecimento global. Imaginem-se Russos, vivendo em um pais que na maior parte do tempo varia suas temperaturas entre -30c e 5c. E de repente você fica sabendo que o mundo está se aquecendo. Ora é claro que sentido frio qualquer pessoa seria indiferente ao aquecimento de dois ou três graus, não importa o malefício causado a natureza. As pessoas na Rússia matam para não morrer de frio. Basta que se acompanhe o problema diplomático gerado entre Rússia, Geórgia e EUA pela negociação das tarifas de gás.
Morrendo de frio ninguém é capaz de se mobilizar contra o aquecimento global !
Talvez esse raciocínio seja o que motivou os criadores de The Day After Tomorrow, EUA 2004, a criar um filme onde a erosão ecológica provocada pelo Homem cria uma tragédia de proporções bíblicas transformando EUA e Europa em verdadeiros infernos glaciais. Essa abordagem é muito mais efetiva, principalmente para aqueles que pagam altas contas de aquecimento.
No nosso humilde cenário Tupiniquim, sendo compatriotas de ninguém menos do que Deus, o grande arquiteto do Universo, que malandramente como qualquer Brasileiro que se preze jogou todos os desastres naturais para o território dos visinhos. Éramos quase imunes a essa culpa mundial, esse grande ônus do desenvolvimento industrial e econômico.
Já que nossa matriz energética é basicamente de energia proveniente de hidroelétricas, nossas usinas atômicas nunca foram exploradas até o limite ao ponto de explodir e em se falando de industrialização nós ainda somos aprendizes de feiticeiro, isso pra usar uma metáfora evitando o achincalhe nacional.
Até que surge a bomba, ou melhor dizendo a bufa, somos classificados agora também como grandes poluidores mundiais. Sou capaz até de ouvir Galvão Bueno gritando Brasil sil sil sil sil... E de onde diabos vem essa grande emissão de metano? Peraí metano? Não é esse o gás que faz funcionar aquela cidade da Tina Turner em Mad Max III? E de onde vinha o metano mesmo? Das fezes dos porcos! Barter Town era o nome, não disse que minha memória é esquisita?
Bem já no nosso caso não são as fezes mas os peidinhos que as 100.000.000 de cabeças de gado do Brasileiras produzem diariamente. Chego a pensar em soluções praticas para o caso, talvez um concurso no Faustão para premiar o inventor que melhor desenvolver uma rolha ou no melhor estilo Mad Max seria melhor entubar os bovinos pelo cu. Levando os tubos a grandes tanques de metano que seriam vendidos em postos de gasolina substituindo o gás Boliviano. Pelo menos assim iríamos parar de cheirar o rabo de Evo Moralles.
Contudo o que mais irrita nessa estória toda é a forma como a rede Globo, em especial o Fantástico, abordou a questão para o crédulo povo Brasileiro. Incapaz de emitir, via de regra uma opinião critica sobre um texto que seja. Quanto mais contestar ou contextualizar um programa televisivo.
Arrisco-me a dizer que nem mesmo os jornalistas responsáveis pela pauta são capazes de fazer este raciocinio, isso ou realmente eles são eivados de mau caratismo jornalístico.
A questão se desenrola em torno do Documentário que a BBC fez para o publico Americano tentando conscientizá-lo no sentido de adequar o consumo de água potável a níveis sustentáveis. A primeira coisa que vem a cabeça é que não somos Americanos e não temos os hábitos de consumo deles a segunda é que por sermos compatriotas de Deus, felizmente estamos sentados sobre a maior bacia hidrográfica do mundo!
A máxima do documentário da BBC reside que a água deve ser em alguns anos um bem mais precioso que o petróleo. E no contexto que ele foi produzido faz todo o sentido, já que o publico alvo é o residente na costa Oeste dos EUA. Região onde se produz grandes quantidades de petróleo e de clima semi-desértico.
Só pude perceber a falha na contextualização ao assistir o documentário na integra, exibido pelo Dicovery Channel. Os pequenos trechos que assisti no Fantástico me levaram a seguinte conclusão.
No Brasil não existe a necessidade de racionar a água que sai da torneira!
Qualquer aluno do ensino básico aprende o ciclo das águas, funciona mais ou menos assim: A água evapora do mar formando nuvens, As nuvens se condensam e chove, a água que cai na terra é absorvida pelo solo e uma parte acaba provendo as nascentes, as nascentes abastecem os rios e os rios deságuam no mar renovando o ciclo.
A ação do Homem atrapalha esse ciclo, quando nós desmatamos a mata ciliar responsável pela processo de manutenção das margens ribeirinhas, quando canalizamos e assoaríamos os rios provocando enchentes e todo o tipo de malefício urbano.
No caso por exemplo da cidade do Rio de Janeiro o abastecimento é feito a partir das águas do rio guandu. Um rio que como quase todos nasce puro e é poluído pela ocupação irregular que despeja esgoto in natura em seu leito.
A CEDAE então inicia o processo de tratamento das águas, que demanda uma série de produtos químicos deixando o processo de abastecimento relativamente custoso.
Por isso não é exagero dizer que a água utilizada lavando calçadas não faz falta ao meio ambiente, pelo contrário ela de certa forma retirada de um meio poluído que inevitavelmente desaguaria no mar. A população economizar ou esbanjar apenas influi na capacidade da CEDAE em abastecer a população com água potável, mas de forma alguma pode extinguir a água doce no Rio de Janeiro. O mesmo se repete em vários mananciais Brasileiros com exceção dos municípios supridos por açudes e barragens.
Já na costa Leste dos EUA a realidade é exatamente oposta, principalmente em se tratando da maior consumidora dos recursos hídricos do rio colorado aquele que corta o Grand Canyon, Las Vegas! O monstro capitalista erguido no meio do deserto de Nevada.
Que pode exaurir a barragem construída ao norte e efetivamente acabar com a água da região.
Tudo isso seria um raciocínio simples quase obvio a qualquer um que pesquisasse um pouco a respeito do que ouve e passa a ter como verdade. Infelizmente vivemos em um mundo onde a opinião publica segue a opinião publicada. E se essa opinião for demonstrada na televisão é provável que seja elevada ao status de verdade absoluta lado a lado com as verdades religiosas.
Que bom que sou um E.T. o primo pobre de Klaatu de The Day the Earth Stood Still. É uma pena que em vez de andróides super poderosos eu só tenha esse blog...
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