Às vezes queria ser poeta e escrever em versos, pensamentos que tenho sobre coisas da vida, o desejo por poesia conduz aos poetas. Como Fernando Pessoa que através da abstração lírica são capazes de se fazer entender, ou melhor, dizendo conduzem o raciocínio do leitor ao ponto desejado sem a necessidade de um discurso direto.
Quem dera possuir esse talento, por exemplo, em “Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada” por Alberto Caiero (Heterônimo de Fernando Pessoa).
“...Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor...”
E pensando em Têmis, minha deusa favorita que permanece vendada empunhando uma balança simbolizando a imparcialidade, principio indissociável à Justiça moderna. E visa garantir que o juiz não tenha pré conceitos em relação à causa ou as partes envolvidas.
È o mesmo principio simbolizado pela venda nos olhos da deusa da justiça procura garantir a não politização dos juizes, por isso nossos magistrados passam por um processo doutrinador, assim como todos os estudantes de direito. E após esse processo muitos de nós estabelecem paradigmas jurídicos, muitos calcados apenas no argumento de autoridade. Como a idéia de que o ordenamento jurídico harmônico.
Existem doutrinadores que são capazes de afirmar categoricamente não existe conflito entre as normas constitucionais. Que qualquer divergência entre os artigos da CF é fruto de uma má interpretação. E na verdade o constituinte originário era eivado de uma sabedoria suprema, quase messiânica.
É habito no mundo jurídico que fechar os olhos para a verdade real, dando mais importância à técnica que construímos para fazer o caos legislativo ser coerente e aplicável.
O problema é sistêmico, e a cada dia um enorme abismo abstrato se estende entre os três poderes. Este abismo é tão grande que pode até mesmo superar o que separa os três poderes do resto da população.

Muito bom...
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