sábado, 27 de fevereiro de 2010

O lobisomem - The wolfman - Crítica.



Tive o prazer de assistir a refilmagem do clássico "The wolfman" nessa sexta feira. E posso lhes confidenciar que o filme é muito bom. Isso por conta do cuidado com que a direção de arte teve ao elaborar figurinos e cenários retratando com bastantante riquesa o expledor da chamada era vitoriana.

Há também os dialogos primorósos entre Antony Hopkins e Benicio del Toro, representando pai e filho unidos pelo ódio e por uma maldição terrivel e o mesmo tempo cativante.

Numa época onde os seres sobrenaturais ocupam as narrativas, The wolfman traz devolta o olhar simples e objetivo sobre o mal. Sem firulas e sem desculpas, simplesmente fúria pura encarnada.

Se tivesse que mudar alguma coisa no filme, evitaria as cenas de exposição exagerada do licantropo e poria mais Pai e filho conversando, sem precisar de nenhum efeito especial blockbuster.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Não conheci o outro mundo por querer !

É fato que maturidade não tem correlação direta com idade cronológica, muitos de meus amigos tem níveis de maturidade levemente incompatíveis com suas certidões de nascimento. Alguns preferem esticar a porra louquice enquanto puderem outros como eu tornam-se chatos aos quinze anos. O resultado final creio eu acaba sendo positivo com um equilibrando ou outro.

E é estranho observar essa nova safra de jovens adolescentes, jovens demais para se integrarem a mim e ao meu grupo de amigos. Agora que já me é possível olhar para eles e vê-los como sendo fruto de uma outra geração. Nossas referências são diversas, os ídolos são outros, os arquétipos de comportamento totalmente diferentes.

Isso me leva a pensar no dilema da continuidade, e afinal quem educa os jovens desde que as nossas mães passaram a trabalhar em escala tripla? Família, escola, amigos? Sim todos eles mas também a televisão. Esse eletrodoméstico onipresente na nossa vida. O principal ou único meio de comunicação da esmagadora maioria das pessoas no Brasil e talvez no mundo.

A televisão que entretêm enquanto educa, ou educa enquanto entretêm... É claro que não se trata da educação formal ou mesmo qualificadora. Mas é inegável a transmissão de valores culturais realizada através do áudio-visual. E o mais intrigante é que diferentemente da escola ou mesmo da família de onde se espera que o individuo obtenha sua formação. A TV emprega um método infinitamente mais cativante e mais convincente.

Enquanto a família e a escola insistem em um discurso direto."Isso é assim... por causa disso", "Isso é certo... Aquilo é errado", forma de ensinar que enfrenta a resistência natural do Individuo a submissão perante uma outra pessoa ou figura de poder. Sem mencionar o clássico paradoxo do "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço", que dispensa por si só qualquer por menorização no que tange aos seus efeitos.

A TV educa com um discurso indireto. Onde o tele espectador é levado a crer numa determinada verdade sem que sinta-se pressionado por uma vontade alienígena a sua. Tendo a ilusão criada muitas vezes por seu próprio raciocínio de que formou um conceito a respeito de algo. O método televisivo de educar pelo exemplo, demonstrando ao fim de cada trama as consequências dos mal feitos praticados pelos vilões.

E isso tudo em um ambiente controlado e planeado, muitas vezes com personagens sem uma personalidade completa. Ou seja indivíduos totalmente maus ou totalmente puros. Deixando quase impossível para qualquer pai ou mãe a tarefa de tornar-se um modelo de comportamento e valores.

A solução óbvia parece dosar e alternar o convívio familiar e o tempo que as crianças passam em frente da TV. País que assistam os programas junto com seus filhos tem mais chances de entender seu mundo imaginário. Além disso boas conversas sobre o tema dos programas ajudam Pai e Filho a se conhecer e da a oportunidade de educar usando o exemplo do programa e a figura dos País como ancora no mundo adulto.

Simplesmente tentar selecionar a programação que as crianças assistem não funciona, porque aguça a sua curiosidade e valoriza qualquer oportunidade onde ele possa assistir aquele programa censurado. Se a necessidade de vetar um programa for extrema, como é o caso do Pornô explicito.O melhor seria fazer a proibição sendo realista e explicando com clareza os motivos até que reste na concepção da criança o sentido claro de que é errado assistir aquilo com a idade que tem.

Aff. Quem sou eu para escrever manuais de como educar crianças... A aventura mais próxima disso que já tive e ainda tenho é com minha prima e afilhada, muito mais esporadicamente do que talvez ela precise... Mas nem isso me da o direito... Acho que vou mostrar esse texto para minha mãe e ver o que ela pensa!

Eu volto no tempo e penso nos programas que assistia com minha mãe, desde a infância e os que passei a assistir na pré adolescencia. Não lembro das conversas que tínhamos apenas sinto a presença dela como uma grande amiga e guia por um mundo de percepções. Minha mãe erguendo-me da obscuridade em direcção a luz do raciocínio.

Lembro que muitos dos valores que hoje possuo foram de certa forma introgetados no meu sub consciente por programas de TV. E em especial desenhos animado. Lembro de assistir "Os Thundercats" (Que apesar de serem alienigenas querendo se impor aos nativos do 3º Mundo) demonstravam e exaltavam seus ideais "Honra, justiça, Liberdade !". E HE-MAN esse muito mais didático ousava virar para as crianças e dizer no final do desenho o que era certo errado e o porque!

Mas minha personalidade na adolescência foi formada graças aos desenhos japoneses, esses eram febre de 94 a 99. Cavaleiros do Zodíaco, Shurato e Principalmente YUYU-HAKUSHO ou traduzindo estórias de fantasmas. De todos os personagens principais que adiquiri alguns traços de personalidade e também de comportamento, inclusive de vilões como Toguro.

Eu só não consigo ver agora, por mais que me esforce. Quais são os personagens, ou arquétipos que essa geração de adolescêntes de agora está usando pra formar sua personalidade. Acho que a produção ou distribuição de conteúdo de certa forma não deu continuidade. E na falta do novo rezo pela volta dos meus Heróis.

Quem é correto no pouco é correto no muito.




O que é bem arraigado não será desarraigado.
O que é bem conduzido não será seduzido.
O que vive na mente de filhos e netos
Não perecerá.
Quem vive fiel ao eu interno
Vive corretamente.
Quem lhe é fiel na família
Terá vida em abundância.
Quem lhe é fiel na comunidade
Vive permanentemente.
Quem lhe é fiel no povo
Sabe que vive pela potência interior.
Quem lhe é fiel na humanidade
Sabe que seu eu abrange tudo.
Pelo que:
Segundo a sua maturidade individual,
Conhecerá os outros.
Segundo a maturidade de tua família,
Avaliarás as outras famílias.
Tua comunidade é a medida
Para as outras comunidades.
Por teu povo medirás outros povos.
Por tua humanidade medirás a Humanidade.
Por onde conheço eu esta lei da ordem?
Por si mesma.


Sintese.

O nosso Eu individual, a nossa família, o nosso povo, a humanidade que nos rodeia, são o teste da Humanidade total e do Universo inteiro. Não se pode fazer bem a humanidade total e do universo inteiro. Não se pode fazer bem a humanidade em geral sem fazer bem ao homem individual. Quem não ama o homem mais próximo não pode amar a humanidade longínqua.
Tao te Ching - Lao Tsé.

Tradução e Sintese de Humberto Rohden

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Human TREK - audaciosamente indo onde poucos conseguem chegar.

A dinâmica das relações humanas é uma assunto bastante amplo sobre o qual muitas pessoas se debruçam, se focar as relações humanas sob o ponto de vista do nosso blog que trata de política, cinema e cotidiano poderia dizer que este texto é sobre o cotidiano. No entanto Política e cinema abordam basicamente relações humanas, mas afinal o que é que não faz parte das relações humanas? Neste caso seria melhor defini-lo como um blog de relações humanas sob o meu ponto de vista.

De certo que nem tudo no universo tem ha ver com relações humanas... Só tem ha ver com isso tudo aquilo que interessa! E mais uma vez o homem coloca o seu umbigo no centro do universo, e deveria ser diferente? Afinal não é a partir de si mesmo, tendo o próprio ponto de vista como referencial que julgamos tudo na vida. Talvez o universo não gire em torno de mim... Mas o meu universo com certeza é construído em torno da minha percepção.

Se a sua vida fosse um filme, será que você seria o personagem principal? Ou meramente um coadjuvante aguardando as falas do protagonista. Se nossa vida fosse um filme que tipo de filme seria? Será que agradaria ao publico? Será que você mesmo o assistiria ou iria embora do cinema na metade?

O interessante nessa metáfora é que se pensarmos que todos somos personagens principais em nossos próprios filmes, quem seriam os coadjuvantes? Se todos se comportassem como astros e estrelas não haveriam planetas para abrigar a vida...

Do modo como eu vejo as coisas parece que as relações humanas são sempre assim, com pessoas algumas pessoas determinadas a se tornarem protagonistas de suas próprias vidas e outras sendo coadjuvantes em muitos filmes alheios.

Mas se todos vivem sua realidade pessoal, julgando o mundo de acordo com o gênero de seu filme, ou sobre sua ótica de valores. Usando nesse caso as ferramentas que temos qual sejam elas os nossos pobres 5 sentidos somados a nossa inteligência, raciocínio e intuição. Teremos como resultado final dessa equação a percepção que uma pessoa obtém sobre determinado fato ou acontecimento.

Essa percepção é motivada por um fator alienígena, vindo de um mundo caótico e misterioso chamado mundo real. Esse mundo real é de fato inalcançável a imensa maioria das pessoas que via de regra vivem presas ao seu universo de percepções. Gerado a partir do estímulo de uma fagulha do mundo real que é lapidada ou fundida com elementos próprios da mente de todos nós.

O nosso universo pessoal, é na verdade a forma mais cômoda que achamos de equacionar, de explicar, de solucionar, de amenizar a aspereza do mundo real. Por isso vivemos em nossas próprias mentes. Existem ainda os que pensam viver no mundo real tentando não gerar nenhuma explicação ou solução para os estímulos que recebem esperando dessa forma ver sempre de maneira mais cética os fatos que se envolvem.

Estes criam pra si mesmos um mundo árido, truculento e belicoso vendo somente o que é real. E desse modo vivem irremediavelmente presos, mais condenados que os demais, em um mundo criado por suas próprias mentes. Pois apesar desse universo ser formado sem as impressões de suas mentes, faltam nele pessoas com quem se relacionar. Esse é um universo deserto e solitário para aqueles que caem em sua armadilha.

O verdadeiro mundo real está além desse deserto de fatos puros e sentimentos de descrença. Ele habita em uma esfera comum composta por todos os universos criados pela mente e pelos sentidos das pessoas. Como uma colcha de retalhos de pequenos micro-versos multicoloridos. Esse é o universo das pessoas esse é o que interessa, pois somos pessoas e não elementos da natureza.

Mas como despertar para esse mundo? Como participar de um universo onde todos pensam estar no centro? Onde as regras mudam de pessoa para pessoa?

Por mais que cada pessoa seja um ser único nós serem humanos nos dividimos por grupos e por afinidades. Somos frutos do meio onde crescemos e das escolhas que nos são permitidas. Desse modo o numero de universos pessoais, leia-se de padrões e de conjuntos de valores. Não são infinitos.

E como é possível visitar esses outros mundos? Como é possível dois universos se relacionarem em harmonia plena sem se destruir? A chave para esta questão está na palavra empatia. Empatia é a capacidade de perceber o mundo de acordo com a ótica de outra pessoa. Através da empatia podemos compreender porque duas pessoas podem ter opiniões diferentes crendo que a sua opinião é a correta, e ainda assim estarem cobertos de razões.

Porque suas razões são diferentes e fazem sentido sob seus próprios pontos de vista. Eu já ouvir dizer sem comprovação que a palavra inglesa para guerra WAR. É uma sigla para "We are right" ou nós temos razão. Não tenho certeza sobre a raiz etimológica mas pra mim faz todo o sentido. Pois mesmo os maiores crimes de guerra foram cometidos por aqueles que criam estar fazendo a coisa certa.

O antídoto para as desavenças, a solução para os conflitos, a porta para a sabedoria reside na empatia. E pra ter empatia basta que a pessoa tenha vontade de perceber o outro de entender como funciona as regras do universo daquela ou daquelas outras pessoas.


VIDA LONGA E PRÓSPERA !!!


domingo, 21 de fevereiro de 2010

Balanço sobre o blog

Olá amigos. Digo isso no sentido literal, pois sei bem que são os amigos que me lêem. Quero agradecer aos que tem acompanhado esse inicio de blog e dizer que eu mesmo ainda estou engatinhando.

Vejo inúmeros defeitos nas postagens anteriores, mas me recuso a corrigir-los do contrário só ficaria fazendo isso em vez de postar... e o importante é postar e que se foda !

O ultimo texto... Teoria tridimensional e o Brasil. Não define o blog. Ou seja, é um texto recuperado de uma época em que eu queria ser levado mais à sério. É claro que eu também escrevi e escreverei textos sérios. Mas não no espírito de Kissirfoda !Acabei de mudar o modelo, talvez isso facilite a leitura e eu sei que o que eu escrevo é grande demais pra um blog e talvez grande demais para a internet. Mas eu só sei escrever assim, por isso agradeço a paciência de quem lê.

Eu gostaria de ter um publico grande, mas não vou transformar kissefoda em um blog popular... se isso significar postar textinhos superficiais cheios de figurinhas legais.

Mas agora que eu aprendi a postar imagens... com certeza vou usar o recurso...Aqueles que já leram alguma coisa perceberam que eu gosto de falar de Cinema, Política e coisas do cotidiano... Agora estou entrando numa fase mais política... Mas isso não é o que define o blog.

E é isso ai... Estamos em construção.

A teoria tridimensional e o Brasil.

Bem amigos, eu tenho um certo carinho por este texto. Ele foi escrito já faz um tempinho e eu ainda não estava no espírito de Kissifoda...

Ele data de 11 de Junho de 2007, pra quem se lembra era uma época complicada com o congresso e o governo federal emendando um escândalo no outro... Era?

Eu não pretendo reescrever sobre o mesmo assunto por isso resgatei o texto na sua forma original... Tenham paciência eu estava apenas iniciando a graduação.


Rio de janeiro, 11 de Junho de 2007

Breve ponderação sobre a realidade Brasileira, a Luz de Miguel Reale e sua Teoria tridimensional do Direto.

O grande jurista Miguel Reale, que contribui tanto para a formação dos jovens estudantes de Direito. Presenteia a todos nós com sua teoria Tridimensional do Direito. Essa brilhante teoria propõe que analisemos o fenômeno Jurídico seguindo três aspectos fundamentais. A analise do fenômeno histórico jurídico deve observar: O Fato o Valor e a Norma. Esses três fatores seriam inter dependentes. Sendo que a presença de dois fatores automaticamente geraria o terceiro. E na ausência de mais de um deles, este único fator seria descartado.

O fator conhecido como norma, representa o direito positivado, a lei escrita. O fato teria uma relação direta com a aplicabilidade desta norma, no caso da norma ainda não estar positivada por uma lei o próprio costume Jurídico corresponderia ao fato. O valor é o julgamento abstrato que a sociedade tem como um todo acerca de um assunto especifico, tendo em certo nível uma ligação com a moral da sociedade.

O melhor exemplo para ilustrar essa teoria é o caso do Adultério no Brasil. Durante a maior parte da história Brasileira o adultério foi considerado crime, Tipificado no Código Penal. Porem a própria evolução histórica e cultural deixou de considerar o adultério como crime, mudando o julgamento de valor a respeito do assunto. Desta forma as autoridades pouco a pouco deixaram de aplicar a sanção penal prevista extinguindo o fato.

Restava apenas a norma que considerava o adultério como sendo crime. Sendo assim logo a lei foi modificada e o adultério deixou de ser Tipificado no Código Penal. Passou a ser considerada apenas uma transgressão de ordem civil. Isso porque somente a norma não foi capaz de se impor, já que não contava com outro fator que lhe desse suporte. Se pelo menos de fato a lei fosse aplicada, com dois fatores presentes o terceiro seria produzido. Porque a sanção tendo natureza coercitiva geraria o valor de certo e errado. Ou ainda se no intimo da sociedade o adultério constituísse uma falta grave, as autoridades aplicariam a norma gerando dessa forma o fato.

Restava apenas a norma que considerava o adultério como sendo crime. Sendo assim logo a lei foi modificada e o adultério deixou de ser Tipificado no Código Penal. Passou a ser considerada apenas uma transgressão de ordem civil. Isso porque somente a norma não foi capaz de se impor, já que não contava com outro fator que lhe desse suporte. Se pelo menos de fato a lei fosse aplicada, com dois fatores presentes o terceiro seria produzido. Por que a sanção tendo natureza coercitiva geraria o valor de certo e errado. Ou ainda se no intimo da sociedade o adultério constituisse uma falta grave, as autoridades aplicariam a norma gerando dessa forma o fato.

Em especial o Brasil possui a peculiaridade de criar normas que não contam com o juízo de valor da população a favor. Algumas dessas normas são eficientemente aplicadas (fato) e geram o juízo de valor na sociedade. A exemplo da CPMF na esfera federal e das multas de estacionamento na esfera municipal. Porem outras normas não são aplicadas eficientemente e acabam não produzindo esse efeito valorativo, pois carecem do fato. Mas essa acaba sendo uma pratica deletéria para a sociedade, pois enfraquece a posição de autoridade do estado. Uma vês que uma lei que não é cumprida deixa todas as outras em posição de serem questionadas.

Atualmente a sociedade brasileira passa por uma profunda crise de valores. Já que nosso Código Penal é mais eficientemente aplicado quando se trata de delitos cometidos por cidadãos comuns, enquanto os crimes próprios de autoridades não são eficientemente sancionados. A própria sistemática das penas de detenção não é eficaz no que tange ao caráter coercitivo. Ao passo que as penas pecuniárias e restritivas de Direitos carecem de regulamentação.

Recentemente a Policia Federal tem efetuado inúmeras operações, que em sua maioria investigam pessoas altamente qualificadas e de poder econômico elevado. Os crimes são diversos e vão desde simples desvio de verbas do erário publico passando por peculato corrupção ativa e passiva de trafico de influencia à fraudes sistemáticas no sistema de licitações publicas. Toda essa crise atingiu seu ápice no período legislativo passado, 2003 a 2006. Com diversos escândalos envolvendo ministros de estado e deputados federais. A crise foi tamanha que especulou-se até mesmo quanto a legitimidade do poder congresso como representante do povo. Esperava se que o próprio congresso punisse os envolvidos cassando mandatos e direitos políticos. Porem apenas dois dos envolvidos perderam o mandato e direitos políticos, mas permanecem atuando e gerindo a política na executiva de seus respectivos partidos.

A frustração com o congresso foi imensa, e esperava se uma resposta da população. Esperava se uma ampla renovação dos quadros políticos, porem muitos do envolvidos diretamente em crimes de corrupção foram reeleitos. E sem que se passasse um ano o Presidente do Senado Federal já esta envolvido inescusavelmente, com lobistas. Comprometendo a lisura do Congresso nacional. Em paralelo, outra operação da PF, envolve o irmão do presidente da Republica em um esquema de trafico de influencia.

Se observarmos todos esses acontecimentos segundo a lógica da Teoria tridimensional do Direito. Chegaremos à conclusão de que não são na verdade crimes. E logo deixarão de estar tipificados pelo Código Penal Brasileiro. Uma vez que existe apenas o fator normativo que os define como crime.

Esta conclusão pode parecer chocante, mas é necessária. Vejamos os fatores da Teoria tridimensional. A norma sem duvida existe. O fato com certeza inexiste, pois mesmo após tantos indiciamentos e investigações nenhum dos envolvidos esta cumprindo pena por seus crimes. É verdade que nesses casos a prisão preventiva é desnecessária, considerada até um abuso por alguns juristas. E que aos acusados deve ser garantida a ampla defesa e ao contraditório. Esse é um bom argumento, mas vale lembrar que alem de muitos deles terem foro privilegiado esses que foram descobertos são só uma pequena parte. Uma pequena parte da totalidade de indivíduos que cometem esse tipo de crime impunemente. Sendo assim o fato que geraria o valor, segundo a minha humilde analise não existe.

O ultimo fator a ser ponderado é o do valor. O juízo de valor que a sociedade faz a respeito do ocorrido. Apesar da mídia jornalística tecer duras criticas, todas essas criticas não ultrapassam o nível informativo do espetáculo. Alem disso esse espetáculo banaliza as recorrentes denuncias, e um espetáculo sucede o outro que passa a ser esquecido pouco a pouco até que a opinião publica esteja tão saturada do assunto que o trata com ceticismo e apatia.

O maior e chocante exemplo do tipo de juízo de valor, que a sociedade faz a respeito da corrupção é a eleição de um Sr que sabidamente é um corrupto. Para a vaga de deputado federal pelo estado de São Paulo, sendo que este obteve a maior votação individual no Estado. Este senhor que já foi prefeito da Capital paulista e que comprovadamente desviou verbas publicas para contas em nomes de terceiros no exterior. Cinicamente ocupa uma vaga na câmara federal. Entre seus eleitores ele é conhecido como aquele que rouba, mas faz.

No entanto ele não é o único, pois também faz parte do congresso federal um ex-presidente deposto e enxovalhado por uma geração. Cabe frisar que eu, neste texto, não me proponho a discutir o mérito de seu Impedimento. Apenas o menciono como exemplo de como os valores da sociedade se alargaram.

Alem deste, outro que cometeu um crime contra a própria democracia ao fraudar o sistema de votações eletrônicas, também ocupa uma vaga no senado pelo estado da Baia. Ora se o Senado Federal que tem a responsabilidade de zelar pelos valores e a responsabilidade de ser o bastião da Republica. Acolhe em suas fileiras ilustres, indivíduos com praticas tão escusas. Não me tomem por louco quando afirmo que os próprios valores da sociedade hoje são outros.

Porque se os que representam os valores são aqueles que roubam, então roubar não é contra os valores que eles representam.

Caros colegas, professores e amigos. Ou eu compreendi muito mal a teoria de Miguel Reale. Ou a corrupção no Brasil não é crime e logo não estará mais tipificada no código penal.

A verdade do mijão !!!


Existem alguns conceitos básicos que eu gostaria de trabalhar antes de tratar de temas mais complexos, eles servem para desconstruir algums tabus que nos são empurrados dia a dia. E na verdade essa é uma de minhas utopias, que as pessoas passem a analisar os estímulos que recebem ao invés de simplesmente reagir a eles.

Eu como acadêmico de Direito, estou imerso nesse turbilhão de conceitos e é fato que das cadeiras humanas Direito não é a que ensina a pensar com mais clareza. Ainda mais nos dias de hoje onde a pressão por mercado de trabalho faz com que nós alunos estejamos voltados quase que exclusivamente para a absorção de conhecimento. Em um momento futuro discutiremos os dilemas do ensino superior no Brasil, mas o assunto deste texto é outro.

O conceito que desejo trabalhar é o de verdade formal e verdade material. E como ele se aplica ao cotidiano. Simplificando o assunto consciente de que essa não será uma definição acadêmica, expondo-o para um publico maior que o da academia.

Os limites entre a verdade formal e a material podem ser vistos em diversas ocasiões, e em diversos estamentos sociais. Talvez seja necessário buscar inspiração em Montesquieu buscando o espírito das leis, quem sabe ir um pouco mais longe bebendo da Política de Aristóteles. Mas eu não vou tratar de um assunto atual e cotidiano me apoiando nos ombros desses fantasmas.

Todo o mundo sabe que existe aquilo que acontece na realidade e aquilo que dizem oficialmente ter acontecido. Todo o mundo sabe que existe lei que pega e lei que não pega. E mesmo todo o mundo sabendo disso, há quem continue cultivando essa formalidade utópica e tentando fazer com que acreditemos na sua eficácia. Isso às vezes me parece quase que um proselitismo religioso ou um processo de esquizofrenia acadêmica coletiva.

Passemos a análise de problema com um exemplo atual bastante popular. Neste carnaval o atual prefeito da cidade criou polêmica ao coibir a ação de marginais que inadvertidamente após ingerir grandes quantidades de cerveja abriam suas braguilhas pondo para fora o falo mijão e emporcalhavam os muros e arvores da cidade maravilhosa.

Brincadeiras à parte, a ação da prefeitura faz parte de um conjunto de medidas governamentais nomeado "Choque de ordem". Ignorando os motivos de bastidores políticos e focando nossa visão apenas no que um observador desatento vê podemos usar este exemplo para ilustrar nossa reflexão sobre a realidade e o formalismo.

O prefeito tem a competência regular a utilização do espaço urbano da cidade. Apesar de governar a mais de um ano o choque de ordem nem passou perto dos flanelinhas que por toda a cidade que praticam o crime de extorsão e em alguns casos o de ameaça. São eles que deveriam ser detidos e levados a responder processo, já que a sua conduta é tipicamente criminosa, ou seja existe uma lei especifica prevendo uma punição para o que eles fazem.

E em relação ao fato fazer suas necessidades em publico como aceitar que os mendigos e a população de rua em geral continuem urinando e obrando na via publica? Será que o choque de ordem só alcança o folião que paga seus impostos... O cidadão é extorquido por um flanelinha de um lado e em seguida detido por um guarda municipal acusado de pratica de ato obsceno.

Mesmo que sua conduta, a de urinar em via publica, não seja adequada à tipicidade penal do ato obsceno.É evidente que não defendo que as pessoas usem muros e árvores como miquitórios... É obvio que em locai onde normalmente existe uma grande circulação de pessoas deveriam ser construídos banheiros públicos grandes o bastante para suprir a demanda com conforto e dignidade, ao contrário do que é feito atualmente com os atuais modelos importados. Devem ser construídos grandes quiosques ligados a rede de esgotamento pública. E nos eventos esporádicos deve-se ofertar banheiros químicos suficientes para que os Srs. evitem esta falta de educação.

Esses banheiros públicos deveriam ser de acesso livre e gratuito a todo o ser humano que precise dele se utilizar, deveria haver um grupo de faxina á postos e um destacamento da guarda municipal para vigiá-lo evitando o vandalismo.

Qualquer argumento sobre o custo disso é ridículo! Afinal em se tratando de gastos públicos desnecessários nosso cotidiano está repleto. Posso citar de pronto dos exemplos gêmeos de como o antigo prefeito gastou com duas obras de arte 2 milhões de reais apenas na Ilha do Governador.

Façam sua própria análise de com o que essas obras de arte se parecem e lembrem-se que do quão inusitado é este exemplo em relação ao nosso assunto.





Post scritum...


Os governantes se preocuparam em dar de comer ao povo. No centro de Rio existem pelo menos três restaurantes populares... Mas todo o mundo que come...

Post scritum 2...

Ainda volto a trabalhar o conceito de verdade formal e real. Se você acha que eu desvirtuei o texto do que eu pretendia, saiba que todos os meus movimentos são friamente calculados... Que pra bom entendedor meia palavra basta e que pra malandro pingo é letra...
Agora que o carnaval passou o ano finalmente começa.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Reencontrando a real politica. INTRO.

Muito tempo passou desde que estive no seio dos acontecimentos que marcaram a história, talvez fazendo uma reavaliação do meu e do nosso trajeto. Talvez apenas curando as feridas. E ainda assim permaneço incapaz de manter-me afastado do processo de transformação na sociedade.

Quem sabe esse retiro auto-imposto tenha servido para me dar a maturidade intelectual necessária a essa jornada. Cheguei a conclusão simples que não tenho opção, não posso me abster mais do que já fiz sem desenvolver em mim um grande recalque. Um grande sentimento de desperdiçar o que tenho de melhor sem ter ofertado isso ao mundo.

Faz parte de minha natureza o olhar critico e analítico, um questionamento sem fim de
por que(s). E como tive esse período para pensar sobre as coisas que cercam o ambiente de poder na nosso sociedade, desenvolvi algumas teorias. Algumas bem pretensiosas eu admito outras que talvez eu não possa chamar de minhas, afinal sempre que alguém acha que teve uma grande idéia nos dias de hoje descobre que não está muito além do que algum pensador obscuro já escreveu ou publicou.

Mas não é essa a minha pretensão, eu não esquadrinhei a literatura, filosofia, nem muito menos a ciência política atrás de respostas.

Isso em primeira parte porque se assim o fizesse estaria apenas procurando apoiadores para minhas idéias e não procurando entender o pensamento desses escritores, como é hábito no meio acadêmico.

Depois porque vejo que o mais importante nesse momento da nossa história não é produzir conhecimento, nem mesmo buscar a originalidade. O mais importante é dizer o óbvio! Dizer o que está em suspensão no mar de pensamentos que nos rodeia. Dizer o óbvio na minha humilde visão já é sinal de genialidade. Talvez seja essa a minha denominação, um gênio do que é óbvio. Das verdades simples que estão bem abaixo do nosso nariz.

E por ultimo vem a questão do contexto. Eu creio que grande parte dos grandes escritos são absurdamente mal interpretados. Pois não há na maioria das vezes interlocutores capazes de compreender o momento e a motivação de seus autores. Além disso, perceber as mudanças que ocorrem no dia a dia da sociedade e adequar a interpretação à elas é uma tarefa hercúlea. Que em minha opinião pode apenas ser realizada por aqueles que se dedicam exclusivamente a isso. O que não é o meu caso, já que o que busco é promover o debate em uma escala bem maior.

Por isso fico pelas beiradas da intelectualidade, ousando sim questionar os grandes paradigmas, mas com consciência que muitas coisas que acredito hoje são como castelos de areia. Aos quais não me apegarei, pelo contrario vou lançá-los contra todos os rochedos possíveis. Submeterei essas minhas teorias a todo intelectual disposto a desconstruí-las. E no final o que restar de pé será forte o bastante para tomar seu lugar no mundo.

Ainda acho que não estou pronto para o embate. Ainda penso que tenho muito a aprender, muitos autores interessantes para ler. E eu definitivamente não gosto de perder, mas sinceramente não tenho encontrado por essas andanças nenhum livro que seja mais atual do que o que passarei a escrever. Nenhum intelectual que tenha alguma idéia ousada ou nova que seja para dar respostas as perguntas que tem sido feitas. Por isso meus amigos leitores, convido vocês a me acompanhar por essa grande reflexão que é pensar política nesse inicio de século.