E é estranho observar essa nova safra de jovens adolescentes, jovens demais para se integrarem a mim e ao meu grupo de amigos. Agora que já me é possível olhar para eles e vê-los como sendo fruto de uma outra geração. Nossas referências são diversas, os ídolos são outros, os arquétipos de comportamento totalmente diferentes.
Isso me leva a pensar no dilema da continuidade, e afinal quem educa os jovens desde que as nossas mães passaram a trabalhar em escala tripla? Família, escola, amigos? Sim todos eles mas também a televisão. Esse eletrodoméstico onipresente na nossa vida. O principal ou único meio de comunicação da esmagadora maioria das pessoas no Brasil e talvez no mundo.
A televisão que entretêm enquanto educa, ou educa enquanto entretêm... É claro que não se trata da educação formal ou mesmo qualificadora. Mas é inegável a transmissão de valores culturais realizada através do áudio-visual. E o mais intrigante é que diferentemente da escola ou mesmo da família de onde se espera que o individuo obtenha sua formação. A TV emprega um método infinitamente mais cativante e mais convincente.
Enquanto a família e a escola insistem em um discurso direto."Isso é assim... por causa disso", "Isso é certo... Aquilo é errado", forma de ensinar que enfrenta a resistência natural do Individuo a submissão perante uma outra pessoa ou figura de poder. Sem mencionar o clássico paradoxo do "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço", que dispensa por si só qualquer por menorização no que tange aos seus efeitos.
A TV educa com um discurso indireto. Onde o tele espectador é levado a crer numa determinada verdade sem que sinta-se pressionado por uma vontade alienígena a sua. Tendo a ilusão criada muitas vezes por seu próprio raciocínio de que formou um conceito a respeito de algo. O método televisivo de educar pelo exemplo, demonstrando ao fim de cada trama as consequências dos mal feitos praticados pelos vilões.
E isso tudo em um ambiente controlado e planeado, muitas vezes com personagens sem uma personalidade completa. Ou seja indivíduos totalmente maus ou totalmente puros. Deixando quase impossível para qualquer pai ou mãe a tarefa de tornar-se um modelo de comportamento e valores.
A solução óbvia parece dosar e alternar o convívio familiar e o tempo que as crianças passam em frente da TV. País que assistam os programas junto com seus filhos tem mais chances de entender seu mundo imaginário. Além disso boas conversas sobre o tema dos programas ajudam Pai e Filho a se conhecer e da a oportunidade de educar usando o exemplo do programa e a figura dos País como ancora no mundo adulto.
Simplesmente tentar selecionar a programação que as crianças assistem não funciona, porque aguça a sua curiosidade e valoriza qualquer oportunidade onde ele possa assistir aquele programa censurado. Se a necessidade de vetar um programa for extrema, como é o caso do Pornô explicito.O melhor seria fazer a proibição sendo realista e explicando com clareza os motivos até que reste na concepção da criança o sentido claro de que é errado assistir aquilo com a idade que tem.
Aff. Quem sou eu para escrever manuais de como educar crianças... A aventura mais próxima disso que já tive e ainda tenho é com minha prima e afilhada, muito mais esporadicamente do que talvez ela precise... Mas nem isso me da o direito... Acho que vou mostrar esse texto para minha mãe e ver o que ela pensa!
Eu volto no tempo e penso nos programas que assistia com minha mãe, desde a infância e os que passei a assistir na pré adolescencia. Não lembro das conversas que tínhamos apenas sinto a presença dela como uma grande amiga e guia por um mundo de percepções. Minha mãe erguendo-me da obscuridade em direcção a luz do raciocínio.
Lembro que muitos dos valores que hoje possuo foram de certa forma introgetados no meu sub consciente por programas de TV. E em especial desenhos animado. Lembro de assistir "Os Thundercats" (Que apesar de serem alienigenas querendo se impor aos nativos do 3º Mundo) demonstravam e exaltavam seus ideais "Honra, justiça, Liberdade !". E HE-MAN esse muito mais didático ousava virar para as crianças e dizer no final do desenho o que era certo errado e o porque!
Mas minha personalidade na adolescência foi formada graças aos desenhos japoneses, esses eram febre de 94 a 99. Cavaleiros do Zodíaco, Shurato e Principalmente YUYU-HAKUSHO ou traduzindo estórias de fantasmas. De todos os personagens principais que adiquiri alguns traços de personalidade e também de comportamento, inclusive de vilões como Toguro.
Eu só não consigo ver agora, por mais que me esforce. Quais são os personagens, ou arquétipos que essa geração de adolescêntes de agora está usando pra formar sua personalidade. Acho que a produção ou distribuição de conteúdo de certa forma não deu continuidade. E na falta do novo rezo pela volta dos meus Heróis.
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