segunda-feira, 12 de abril de 2010

Kissefoda, é só outro Quixote...


Pobre daquele que escreve demais e lê de menos .

Em algum filme não lembro agora qual, vi surgir entre dois personagens essa máxima da literatura. Forçando um pouco a memória tratava-se de um escritor em crise buscando conselhos de um velho mestre, que por sinal demonstrava certo desprezo pelo estilo lingüístico empregado com sucesso pelo jovem escritor.

Creio que todos nós internautas vivemos um período revolucionário quando se trata da linguagem, e ouso dizer que talvez essa transformação seja tão profunda quanto as que Diderot com seu movimento enciclopedista propiciou precedendo a revolução Francesa. Quem sabe não estejamos abrindo o caminho para que modernos Robespierre cortem as cabeças cabeças de homens nobres.

Ou ainda se comparado o processo de inovação tecnológica ao que Gutenberg propiciou com sua rudimentar prensa móvel, abrindo o caminho para a disseminação do conhecimento para a massa, seria exagero indicá-lo como pai da Reforma? Creio que na internet hoje surja um novo estágio na evolução da linguagem, de certa forma comparada a evolução da prensa de Gutemberg e da Enciclopédia de Diderot.
Se é verdade que somos todos produto do meio, não é exagero dizer que meu estilo como redator é fruto de enorme e enfadonhos tratados juídicos acadêmicamente apelidados de Doutrina, misturados a alguma corruptéla entre os estilos de J. R. R. Tolkien e Ane Rice.

Sendo assim após cinco parágrafos eu ainda não abarquei de fato o assunto que pretendo atacar. Propositalmete com o intento de demonstrar que apesar de sermos livres para dizer o que bem entendamos. È mais provavel não lograrmos exito ao prender a atenção de nossos interlocutores, quem sabe o termo mais adequado não seja a audiência de nosso público alvo, caso não sejamos providos do sagaz poder de sintese necessário á comunicação contemporanea.

Sinto-me tão anacrônico quanto um Ent em seu infinito e enfadonho Entebate levando horas apenas para a apresentação. Por outro lado se o radicalismo típico da era do Twitter com seu máximo de 140 caracteres for capaz de se consolidar. Haverá um grandioso corte de cabeças, não no sentido literal mas serão as mentes que serão decepadas em seu coteúdo.

È fato que tudo o que estou escrevendo poderia ser resumido, mastigado para ser deglutido com facilidade e rapidez. Mas pensem se todas as formas de entretenimento virtual não são apenas distrações. Que se a manifestação do pensamento é resumida pode não conter toda a informação necessária a formação de uma opinião consistente ou mesmo de um pensamento crítico a respeito de qualquer assunto.

E se resumirmos tanto a forma de nos comunicar, resumiremos também o nosso penssamento. Agora me ocorre que é provavél que meus correlatos vitorianos tenham produzido o mesmo estilo de protesto, defendendo o formalismo contra a modernidade corrompedora da lingua Portuguesa. E Vossa Merce acabou se transformando em você. E você hoje em dia é vc, eu quase chego a escrever dessa forma em textos formais.

Tenho recebido bons conselhos em relação principalmente a formatação dos artigos, e sei que o estilo que tenho adotado é pouco usual, tanto quanto o vocabulário pretensamente culto utilizo. È fato que sou treinado dia a dia a peticionar atacando todos os angulos possiveis e imagináveis de um fato. Assim é que funciona para os advogados que precisam comunicar-se com o juiz através de um sistema processual arcáico.

No entanto ser prolixo não é nem de longe um bom sinal de inteligência, e dependendo da ocasião é demonstração cabal de ineficiência. Eu poderia estar escrevendo livros, ou pelo menos poderia tentar. Se o mercado literário sobrevive talvez seja graças a boas estratégias de marketing assossiando mais valor ao nome do autor do que ao seu texto.

Creio que não haveria espaço para Fernando Pessoa e seu Heterônimos, no mundo moderno, já que temos julgado tantos livros pela capa. Ninguem se permite ler um livro despretenciosamente, seu tamanho assusta tanto as pessoas quanto um texto de quinze paragrafos assusta os internautas.

Sem querer bancar o Quixote moderno, empreenderei um esforço ampliando meu poder de sintese, talvez caiba a mim adaptar minha linguagem e ir direto ao ponto sem deixar de lado todas as curvas que o pensamento precisa fazer.

Esse é o preço de facilidade o acesso ao conhecimento, a ferramenta que permite que eu faça a alusão instantanea (Link) a todo um cabedal de conhecimento enciclopédico (Wikipédia). È a mesma que tira o foco de meus leitores. Em resumo meus textos evoluirão e talvez algum dia desses seja capaz em 140 caracteres exprimir um pensamento.

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